Todos os artigos

Fato ou opinião? Como ensinar a diferença a partir dos 7 anos

Uma criança e um adulto, um de cada lado de uma maçã; o balão de fala da criança tem um sinal de certo e o do adulto, um coração.

"Esta maçã é vermelha." "Esta maçã é a mais gostosa." As duas frases falam da mesma maçã, e as duas são ditas com a mesma certeza. Mas são frases de tipos diferentes: a primeira qualquer pessoa pode conferir olhando, enquanto a segunda conta o que uma pessoa pensa.

Distinguir fatos de opiniões é uma habilidade de pensamento que a criança vai usar a vida toda: nas conversas, nos trabalhos da escola e, mais tarde, quando ler coisas na internet. Muitas crianças começam a entender a diferença por volta dos 7 anos, embora as menores também possam brincar com versões simples. Este artigo explica a ideia com palavras fáceis e sugere brincadeiras e perguntas para usar em casa.

Qual é a diferença?

Fato Opinião
O que é Algo que dá para conferir O que alguém pensa ou sente
Exemplo "A maçã é vermelha." "Maçã é a melhor fruta."
Como sabemos Olhamos, contamos, medimos ou pesquisamos Perguntamos para a pessoa
Dá para discordar? Só até conferir Dá, e tudo bem

Um jeito útil de explicar para a criança: fato é algo que a gente poderia provar juntos; opinião é algo que pertence a quem fala.

Fatos também podem estar errados. "Tem cinco maçãs na fruteira" é uma frase do tipo fato mesmo que, na verdade, haja quatro. Dá para conferir, e conferindo vemos que não é verdade. Essa é uma ideia importante: uma frase do tipo fato não é verdadeira automaticamente; é algo que dá para testar.

Comece com uma maçã

Coloque uma maçã de verdade (ou qualquer objeto) na mesa e revezem-se dizendo frases sobre ela.

  1. Cada um diz uma frase: "Ela é vermelha." "Ela é redonda." "Ela é uma delícia." "É a maçã mais bonita da feira."
  2. Separem em dois montes, com cartões ou só dois pratos: "dá para conferir" e "é o que alguém pensa".
  3. Confiram o primeiro monte: olhem a cor, rolem a maçã para ver se é redonda, sintam o peso na mão.
  4. Perguntem sobre o segundo monte: "Todo mundo pensa assim? Alguém está errado?"

As crianças costumam adorar o momento em que percebem que "delícia" não se mede com régua. Repitam a brincadeira com um brinquedo, um livro ilustrado ou o tempo lá fora.

Palavras que costumam indicar opinião

Algumas palavras são pistas de que a frase é uma opinião. Vocês podem colecioná-las juntos.

  • Palavras de sentir e julgar: melhor, pior, bonito, feio, chato, legal, gostoso, horrível.
  • Expressões de pensamento: "Eu acho que…", "Eu acredito que…", "Na minha opinião…", "Para mim…".
  • Palavras de "deveria": "Todo mundo deveria…", "Criança não deveria…".

São pistas, e não regras. "Acho que está chovendo" fala de algo que dá para conferir olhando pela janela. É um bom quebra-cabeça para conversar com os maiores.

"Como a gente poderia conferir?"

Essa única pergunta faz quase todo o trabalho. Quando a criança ouvir uma frase, pergunte: "Como a gente poderia conferir isso?" Algumas respostas possíveis:

  • Olhar: "A porta é azul."
  • Contar: "Na nossa família somos sete."
  • Medir ou pesar: "A mesa é mais comprida que o sofá."
  • Pesquisar juntos num livro, num mapa ou numa fonte confiável.
  • Perguntar a quem sabe, como a um médico sobre o corpo ou a uma bibliotecária sobre livros.

Se não houver como conferir, provavelmente é uma opinião. Se houver, é uma frase do tipo fato, e vocês podem descobrir se é verdade.

Opiniões também são bem-vindas

O objetivo não é ensinar que opiniões são ruins. As opiniões são o jeito de mostrarmos quem somos.

  • Peça motivos: "Por que você acha que é a melhor?" Uma boa opinião costuma vir com um motivo.
  • Mostre que dá para discordar com gentileza: "Eu prefiro pera, você prefere maçã. Os dois ficam felizes."
  • Separe as duas coisas nas conversas: "Isso é um fato que a gente pode conferir. Essa parte é a sua opinião, e é interessante."
  • Repare em histórias e propagandas: "O personagem está dizendo um fato ou uma opinião?" Com os maiores, dá para conversar sobre por que as propagandas usam tanto "o melhor" e "o preferido".

Os quebra-cabeças do Dologi são um pequeno exemplo de fatos: cada um tem uma regra, e a resposta está certa porque segue a regra, e não porque alguém prefere. Depois de um quebra-cabeça, você pode perguntar à criança: "Como a gente sabe que está certo?"

Resumindo

  • Fato dá para conferir; opinião é o que alguém pensa ou sente.
  • Comece com um objeto na mesa e separe frases em "dá para conferir" e "é o que alguém pensa".
  • Use a pergunta "Como a gente poderia conferir?" e procure palavras de opinião como melhor, chato e deveria.
  • Acolha as opiniões, peça motivos e mostre que dá para discordar com gentileza.

Leia também: Pensamento crítico para crianças: quando seu filho pergunta "por quê?" o dia inteiro