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Real ou imaginário? Como crianças de 4 a 6 anos aprendem a diferença

Um coelho lilás à esquerda, uma linha tracejada no meio e um dragãozinho verde e simpático com asas vermelhas à direita.

"Tem um dragão morando no nosso quintal." "Meu ursinho me contou um segredo." "Eu vi um monstro no armário." Crianças de quatro, cinco e seis anos passam do real para o imaginário dentro da mesma frase. Às vezes sabem muito bem que estão brincando; às vezes não têm tanta certeza.

Aprender onde fica a fronteira acontece aos poucos, com experiência e conversa. A família pode ajudar muito sem apagar a imaginação que deixa essa fase tão especial.

Por que a fronteira é borrada

  • Brincar é imaginar. Boa parte do dia de uma criança pequena é imaginação: ser um leão, cozinhar sopa de mentirinha, conversar com os brinquedos.
  • As histórias misturam as duas coisas. Livros e desenhos mostram bichos que falam ao lado de carros e casas de verdade.
  • Ela ainda está juntando informações. Uma criança que nunca viu uma baleia pode achar um dragão igualmente possível.
  • Os sentimentos são reais. Um monstro imaginário ainda pode causar um medo bem real.

Cada criança tem seu ritmo. Misturar real e imaginário nessa idade é comum e costuma ir se resolvendo com a experiência.

A imaginação continua importante

Antes de corrigir, lembre que a brincadeira de faz de conta tem muito valor. Ajuda a testar ideias, treinar a linguagem, entender os sentimentos dos outros e dar sentido ao mundo. O objetivo não é parar de imaginar, e sim ajudar a criança a saber quando está imaginando.

Um jeito simples de respeitar as duas coisas: "Que história de faz de conta incrível! É de faz de conta ou de verdade?"

Uma brincadeira de separar: real, imaginário ou não sei?

Recorte figuras ou desenhe cartões simples e separe em três montes:

Real Imaginário Não sei (vamos descobrir)
Um gato Um dragão Uma baleia do tamanho de um ônibus
Um arco-íris Um ursinho que fala Um peixe que anda na terra
Um robô aspirador Um tapete voador Um pássaro que não voa

O monte do "não sei" é o mais interessante. Pesquisem juntos num livro, perguntem a alguém que saiba ou assistam a um documentário sobre a natureza. Algumas coisas surpreendentes são reais.

Perguntas que ajudam

  • Isso poderia acontecer na vida real? "Cachorro fala de verdade? O que cachorros de verdade fazem?"
  • Você já viu um? "Onde veríamos um dragão de verdade? Num livro ou no parque?"
  • Como poderíamos descobrir? Olhar, perguntar e conferir são hábitos que duram.
  • Quem inventou? Histórias, filmes e jogos são feitos por pessoas. "Quem será que desenhou esse dragão?"

Medos inventados e histórias aumentadas

  • Medos. Se a criança tem medo de um monstro imaginário, leve o sentimento a sério. "Sei que você está com medo. Monstros são de mentirinha, e eu estou aqui." Olhar o armário juntos pode ajudar; rir do medo, não.
  • Histórias aumentadas. "Ontem eu voei até a lua!" raramente é mentira nessa idade. Curta a história e depois dê um nome a ela com carinho: "Que história de aventura! Vamos desenhar?"
  • Perguntas grandes. Às vezes a criança pergunta direto se um personagem querido é real. Responda conforme as escolhas da sua família e mantenha a conversa aberta.

Ideias por idade

As idades são aproximadas; cada criança é única.

  • Por volta dos 4 anos: separar alguns cartões bem claros (gato, dragão), falar "de mentirinha" e "de verdade" durante a brincadeira.
  • Por volta dos 5 anos: acrescentar o monte do "não sei" e descobrir juntos, conversar sobre quem inventa as histórias.
  • Por volta dos 6 anos: encontrar partes inventadas em histórias que parecem reais, criar suas próprias criaturas e explicar o que é inventado.

No Dologi, o tema Lógica tem desafios "Separe em grupos", em que a criança coloca cada coisa na caixa cuja etiqueta combina com ela. Separar por uma regra clara é o mesmo tipo de pensamento que separar o real do imaginário.

Resumindo

  • Crianças pequenas passam com facilidade do real para o imaginário; a fronteira fica mais clara aos poucos, com a experiência.
  • Valorize a imaginação e ajude a criança a perceber quando está imaginando.
  • Brinquem de separar com o monte do "não sei" e descubram juntos.
  • Leve a sério os medos inventados e curta as histórias aumentadas como histórias.

Leia também: Histórias com um absurdo: treinando a criança para perceber o que não faz sentido