Coloque três maçãs e uma meia na mesa e pergunte: "Qual não pertence ao grupo?" A maioria das crianças vai apontar a meia em um segundo. Agora tente com um gato, um cachorro, uma galinha e um peixe. De repente há várias respostas boas, e o interessante não é qual a criança escolhe, mas por quê.
É a brincadeira "qual não pertence ao grupo?", também chamada de "o intruso". É rápida, não precisa de nada especial e funciona em quase qualquer lugar. Por trás da simplicidade, há uma habilidade de pensamento importante: generalizar, ou seja, perceber o que várias coisas têm em comum.
Por que uma brincadeira tão simples ajuda
Para achar o intruso, a criança precisa:
- Olhar cada item e reparar nas características: cor, forma, tamanho, para que serve, onde vive.
- Encontrar o que os outros têm em comum. "Esses três são frutas."
- Explicar a diferença. "A meia não é de comer."
Perceber o que as coisas têm em comum é como formamos grupos e ideias como "fruta", "animais" ou "números pares". É a mesma habilidade que a criança usa ao classificar e comparar, e mais tarde ao procurar regras e padrões na matemática.
Como brincar
- Escolha quatro coisas, objetos de verdade ou figuras. Três devem ter algo em comum; uma não.
- Pergunte: "Qual não pertence ao grupo?"
- Sempre pergunte "por quê?" O motivo é a verdadeira resposta.
- Aceite qualquer resposta com um bom motivo, mesmo que não seja a que você tinha pensado.
- Troquem de papel quando a criança pegar o jeito.
Algumas rodadas no café da manhã ou num passeio já bastam.
Mais de uma resposta certa
Os melhores grupos têm várias respostas possíveis. Tente com um gato, um cachorro, uma galinha e um peixe:
| O intruso | Um motivo possível |
|---|---|
| Peixe | É o único que vive na água. |
| Galinha | É a única com penas e duas patas. |
| Gato | É o único que sobe em árvores. |
| Cachorro | É o único que late. |
Quando a criança der uma resposta que você não esperava, peça que explique. Se o motivo fizer sentido, diga: "Eu não tinha pensado nisso. Que ótimo motivo!" Assim ela aprende que pensar importa mais do que adivinhar o que o adulto quer.
Se um motivo não se sustentar muito bem, confiram juntos em vez de dizer "errado": "Será que algum outro também sobe em árvores?"
Do fácil ao difícil
Cada criança se desenvolve no seu ritmo, então use estas idades só como referência.
| Por volta de | Tipo de grupo | Exemplo |
|---|---|---|
| 4–5 anos | Três iguais e um bem diferente | Três maçãs e uma meia |
| 5–6 anos | Categoria | Banana, pera, uva, carrinho de brinquedo |
| 6–7 anos | Uma característica | Bola vermelha, copo vermelho, chapéu vermelho, bola azul (cor) |
| 7–8 anos | Várias características possíveis | Gato, cachorro, galinha, peixe |
| 8+ anos | Características escondidas ou abstratas | Coisas que boiam, palavras que rimam, números como 2, 4, 6 e 9 |
Com crianças maiores, experimente grupos em que a resposta óbvia é uma armadilha. Em "colher, garfo, concha, faca", um serve para cortar, mas outro é bem maior que os demais.
Deixe a criança criar o desafio
Criar desafios é mais difícil do que resolver, e as crianças adoram ser quem pergunta.
- Peça para a criança escolher quatro coisas com um intruso, e guardar o motivo em segredo.
- Adivinhe e diga o seu motivo. De vez em quando, dê de propósito um motivo diferente, mas sensato. A criança percebe que a sua resposta também funciona?
- Transforme em brincadeira de família: cada pessoa cria um desafio no jantar.
Para criar um bom desafio, a criança precisa pensar com muito cuidado nas características. Isso é generalizar na prática.
Perguntas que ajudam
- "O que os outros três têm em comum?"
- "Tem outra resposta? O que mais é diferente?"
- "Dá para trocar uma coisa para que o intruso passe a ser outro?"
- "Você consegue montar um grupo de três em que este aqui se encaixe?"
No Dologi, os desafios "O bloco diferente" do tema Espaço pedem para a criança achar o único bloco diferente dos outros, e os desafios "A nota diferente" do tema Escutar fazem o mesmo com sons.
Resumindo
- A brincadeira "qual não pertence ao grupo?" desenvolve a generalização: perceber o que as coisas têm em comum.
- Sempre pergunte "por quê?" e aceite qualquer resposta com um bom motivo.
- Passe de objetos bem diferentes para grupos com várias respostas e características escondidas.
- Deixe a criança criar desafios para você; inventar enigmas é um ótimo exercício de pensamento.
Leia também: Classificar e comparar: as primeiras habilidades de pensamento da criança
