Muito antes de somar números ou ler palavras, a criança classifica. Os blocos viram montes por cor, os bichinhos de brinquedo se dividem em "os que voam" e "os que não voam", e as meias são juntadas em pares. Classificar e comparar parece simples, mas é onde o raciocínio começa: decidir o que é igual, o que é diferente e qual regra junta as coisas.
O que classificar e comparar ensinam
- Reparar nas características. Cor, tamanho, forma, de que é feito, para que serve.
- Pensar com regras. "Todos esses são vermelhos." "Esses rolam." Um grupo se mantém unido por uma regra.
- Pensamento flexível. As mesmas coisas podem ser classificadas de mais de um jeito.
- Palavras para comparar. Maior, menor, mais pesado, mais comprido, igual a, diferente de.
- Uma base para a matemática. Contar grupos, ver qual tem mais e, mais tarde, ler gráficos simples.
Como a classificação evolui
Cada criança tem seu ritmo, mas a classificação costuma ficar mais complexa em passos como estes:
| Passo | Como aparece |
|---|---|
| Uma característica clara | Todos os blocos vermelhos aqui, os azuis ali |
| Tamanho e forma | Grandes e pequenos; redondos e quadrados |
| Uso ou categoria | Coisas de vestir, de comer, de brincar |
| Duas características ao mesmo tempo | Vermelhos e redondos juntos; azuis e quadrados juntos |
| Explicar a regra | "Juntei esses porque todos têm rodas" |
| Classificar de novo | Os mesmos brinquedos, separados de outro jeito |
Tarefas do dia a dia para classificar
- Roupas. Juntar as meias em pares ou separar as roupas por dono.
- Talheres. Colher com colher, garfo com garfo.
- Sacolas de compras. O que vai para a geladeira e o que vai para o armário.
- Hora de arrumar. Carrinhos numa caixa, blocos em outra, livros na estante.
- Reciclagem. Papel, plástico, vidro: uma regra de classificação de verdade, com propósito.
Essas tarefas são uma prática útil, e a criança costuma gostar de receber essa confiança.
Brincadeiras de comparar
- Igual e diferente. Escolham dois objetos, como uma caneca e uma tigela. Achem três coisas iguais e três diferentes.
- Em fila. Ordenem cinco objetos do mais curto ao mais comprido, ou do menor ao maior. Depois misturem e comecem pela outra ponta.
- Qual é mais pesado? Segurem um objeto em cada mão. Adivinhem qual pesa mais e confiram comparando de novo ou com uma balança de cozinha.
- Qual é o intruso? Mostre maçã, banana, bola e pera. Qual não combina? Depois pergunte por quê. Pode haver mais de uma boa resposta: a bola não é comida, mas a banana é a única amarela.
- Adivinha a minha regra. Separe escondido alguns brinquedos em dois grupos. A criança olha e adivinha a regra. Depois troquem: ela separa e você adivinha.
Perguntas que transformam arrumar em pensar
- "Como você decidiu quais ficam juntos?"
- "Tem outro jeito de separar?"
- "O que esses têm de igual? E de diferente?"
- "Qual não combina, e por quê?"
- "Onde esse ficaria? Ele poderia ficar nos dois grupos?"
Quando a classificação parece errada
Uma criança que coloca uma bola vermelha junto com as maçãs pode estar separando por cor, e não por tipo. Antes de corrigir, pergunte: "Me conta sobre esse grupo." A resposta muitas vezes mostra uma regra totalmente válida, só que não a que você esperava. Depois dá para lançar um desafio: "Você consegue separar de um jeito que toda a comida fique junta?"
No Dologi, os desafios "Separe nas caixas" pedem para separar coisas por uma característica, como o número de pontos de um dado ou o número de lados de uma figura.
Resumindo
- Classificar e comparar é onde o raciocínio começa: igual, diferente e a regra que liga as coisas.
- A classificação passa de uma característica clara para várias, e depois para explicar a regra.
- Tarefas como roupas, talheres e arrumação são uma prática fácil.
- Pergunte como a criança decidiu e procure a regra dela antes de corrigir.
Leia também: O que é raciocínio lógico e por que começar a desenvolvê-lo aos 4 anos?
