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Por que meu filho erra a subtração com reserva? O erro do "maior menos o menor" e como corrigir

À esquerda, dois maços de palitos amarelos, cada um com dez palitos presos por um elástico vermelho; uma seta roxa aponta para a direita, para dez palitos amarelos soltos e separados, ao lado de dois palitos azuis avulsos.

Seu filho calcula 52 − 17 e escreve 45. Você percebe de imediato que está errado, mas ele parece ter certeza. Se você perguntar como chegou a esse resultado, é possível que ele responda: "Não dá para tirar 7 de 2, então fiz 7 menos 2, que é 5. Depois 5 menos 1 é 4."

Esse é um dos erros mais comuns quando as crianças começam a fazer subtração com reserva (também chamada de "empréstimo" ou "troca"), em geral por volta dos 7 a 9 anos, dependendo da escola. Não é descuido: seu filho está seguindo uma regra que parece perfeitamente sensata. Este artigo explica de onde vem essa regra e como corrigi-la, primeiro com objetos de verdade e depois com lápis e papel.

Por que seu filho chegou a 45

Quando as crianças aprendem a subtrair, encontram contas como 7 − 2 ou 9 − 4. O número maior sempre vem primeiro, então elas criam uma regra: "tira-se o menor do maior". Por bastante tempo, essa regra funciona.

Em 52 − 17, seu filho trata cada coluna como uma conta separada: na coluna das unidades estão o 2 e o 7, na das dezenas, o 5 e o 1. Com a regra antiga, ele faz 7 − 2 e 5 − 1. O que ele ainda não enxergou é isto:

  • 52 não é "um 5 e um 2" lado a lado. São 5 dezenas e 2 unidades.
  • Na coluna das unidades, o 2 pertence ao 52 e o 7 pertence ao 17. Trocá-los muda a conta inteira.
  • Quando não há unidades suficientes para tirar, troca-se uma dezena por dez unidades. É isso que significa "pedir emprestado" (a reserva).

Uma pergunta ajuda a criança a notar que há algo estranho: "Se você tirar quase 20 de 52, mais ou menos quanto sobra?" Se seu filho responder "uns 30", o 45 já vai soar esquisito.

Maços de dez palitos

Junte algumas dezenas de palitos (de sorvete, palitos de dente grossos ou canudos cortados) e alguns elásticos de dinheiro. Juntos, amarrem os palitos em maços de dez. Montar os maços com as próprias mãos ajuda seu filho a lembrar que um maço realmente é dez palitos.

Veja como fica 52 − 17:

Passo O que seu filho faz Sobre a mesa
1 Monta o 52: cinco maços e dois palitos soltos 5 maços, 2 palitos
2 Precisa tirar sete palitos soltos, mas só há 2. Desfaz um maço 4 maços, 12 palitos
3 Tira 7 palitos soltos 4 maços, 5 palitos
4 Tira 1 maço 3 maços, 5 palitos
5 Conta o que sobrou: três maços e cinco palitos 35

O passo 2 é o mais importante. Deixe seu filho perceber sozinho que "não tem palito suficiente" antes de sugerir que ele desfaça um maço. Depois, pergunte: "A quantidade de palitos na mesa mudou?" Não mudou. Continua sendo 52, só que arrumada de outro jeito.

Comece por contas fáceis, em que basta desfazer um maço e se tira um só algarismo, como 32 − 5 ou 41 − 8. Quando essas estiverem firmes, passe para 52 − 17 e 63 − 29.

Dos palitos ao papel

Não pule direto dos palitos para a conta armada. Acrescente uma etapa de desenho no meio:

  1. Desenhe dezenas e unidades. Cada dezena é um traço comprido, cada unidade é uma bolinha. 52 são cinco traços e duas bolinhas.
  2. Desfaça uma dezena no desenho. Risque um traço comprido e desenhe dez bolinhas ao lado das outras.
  3. Tire. Risque sete bolinhas e um traço comprido. Conte o que sobrou.
  4. Escreva a conta armada. Só agora seu filho a escreve, e cada passo escrito corresponde a algo que ele já fez com as mãos.

Antes de cada coluna, pratiquem sempre a mesma pergunta: "Tem o suficiente em cima para tirar?" Se não tiver, faz-se a reserva; se tiver, subtrai-se normalmente. Essa pergunta substitui a regra do "maior menos o menor".

As escolas registram a reserva de maneiras diferentes. Algumas riscam o 5 da coluna das dezenas e escrevem 4. Outras dizem "12 menos 7 é 5" e depois somam a dezena emprestada ao algarismo das dezenas do número de baixo: "1 e mais 1 é 2, 5 menos 2 é 3". As duas formas dão o mesmo resultado. Quando seu filho for escrever as contas, siga o método que o professor usa; os palitos servem para mostrar por que a reserva é necessária.

Confira com a adição

A subtração tem uma conferência prática embutida: some o resultado ao número que foi tirado e você deve obter o número de que partiu.

  • 35 + 17 = 52. Correto.
  • 45 + 17 = 62, não 52. Então 45 está errado.

Ajude seu filho a criar um hábito em duas partes para toda subtração com reserva: estimar antes ("52 menos quase 20 dá mais ou menos 30") e conferir depois com a adição. Quando a criança consegue pegar os próprios erros, você precisa conferir muito menos as contas.

Se os erros continuarem

  • Volte aos objetos de verdade. Erros repetidos costumam indicar que seu filho escreve mais rápido do que entende. Algumas sessões com palitos não são um retrocesso.
  • Faça menos contas por vez. De três a cinco contas feitas com calma ajudam mais do que uma folha inteira feita às pressas.
  • Pergunte em vez de corrigir. Em vez de "Está errado", pergunte: "Nesta coluna, tem o suficiente em cima para tirar?" Deixe seu filho encontrar o erro.
  • Confira também as contas sem reserva. Se seu filho também erra 58 − 23, talvez dezenas e unidades ainda não estejam firmes. Dedique mais tempo a fazer maços e a trocá-los.

Se, depois de várias semanas, seu filho ainda estiver com muita dificuldade em fazer contas, vale conversar com o professor para descobrirem juntos como ajudar.

No tema Matemática do Dologi, o quebra-cabeça "Pulos na reta numérica" inclui pulos para trás. Cada pulo para trás é uma subtração que seu filho consegue ver: o número diminui exatamente o tanto de passos que o coelho recua.

Resumindo

  • Seu filho chega a 52 − 17 = 45 porque aplica a cada coluna a antiga regra do "maior menos o menor".
  • Os maços de dez palitos mostram que, quando faltam unidades, troca-se uma dezena por dez unidades.
  • Passe dos objetos de verdade para os desenhos e só depois para a conta armada; escreva do jeito que o professor ensina.
  • Estime primeiro e confira depois com a adição, para que seu filho consiga pegar os próprios erros.

Leia mais: A escola ensina matemática diferente de como você aprendeu: o que fazer quando seu filho fica confuso